segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vestígios...

Tudo que eu queria era passar...
Na ponta dos pés,
seguindo...
Ousando não ser percebida,
suando...


Mas lá estava eu...
Sentada num banco centenário (UFC - Mestrado)...
Às portas de um grande OUTRO exame...
Entre o passo e a porta: observando o arco-íris formado nas plantas aguadas
Lendo
Relendo

Da leitura escorrereu para a alma aquele jardim gotejado
Encharcando os olhos de memórias: marejados...

Aquele  banco
Aquela porta
Aquela faculdade

Antes tudo apenas sentido de longe - ao longe

Como entrei aqui?!
Sentei do lado de Deus?!
Ele sentou ao meu lado...

Ter sido aprovada naquele mestrado...
Ter sido aprovada nas diversas cadeiras em um ano corrido - veloz, tumultuado...

Ter ido...

Vestígios são aqueles signos que deixamos cair
Como aquelas gotas de suor que foram despejadas,
mas que nem todos poderão ver

A minha luta anterior
Todos os meus dias antes do dia de hoje
São vestígios
Saberão deles meu Deus, alguns amigos e eu...

Mas hoje foi dia de ver aquele vestígio de luz
Naquelas flores cintilando...
Só eu verei aquele momento
Só eu o terei em meus olhos...

O que faço ao descrever aquele instante?!
Reacendê-lo para alguns
Anunciando que a luta abre portas sonhadas - quando lutamos...

O que ficou neste dia em que fui qualificada para apresentar minha Dissertação:

Nossa história não é espetáculo para todos...
Nossa história é uma sussurro nosso, compartilhado com poucos...
Nossa história é mera passagem...
Nossa história é mero vestígio...
Que eu tentarei cumprir
Na ponta dos pés...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Beijando o chão e a vida....




Quase esperava para ver se alguém o socorreria, mas não podia confiar uma vida ao destino...
A vida quer de nós mais que expectativa – quer expectação...

Ninguém parava para dobrar-se e ajudar
Dois pararam
Mas apenas para comentar
Todos temem a sujeira alheia

Corri em sua direção como se o conhecesse
Meio atordoado
Aquele era o dia do seu encontro
E ele desencontrado, perguntando como a vida pode ser tão inesperada como num carrossel

Segundos... E ele alí ao chão
Logo ele que minutos antes estava em nuvens..

Preciso dizer:
Ele era epilético...

Acabara de ter uma grande crise
Tremia muito mais que qualquer mortal
Ele sentia um mal súbito no seu primeiro encontro tão esperado

Tão tímido que era
Escondeu-se por entre as malhas da internet
Penetrando o olhar de uma menina que enamorou por dois longos anos

Até que, afrontado pelo sentir empolvorado,, marcou o dia de encarar aquele olhar
Aquele dia foi então firmado com um mês de antecedência
Ele alegou trabalhos e viagens
Tudo irreal
O que o fazia temer e tremer era mesmo aquele seu segredo

Não se deve guardar segredos
Não para quem se pretende amar sem prazo
Não se deve fugir de meandros, ainda que sejam conflituosos
Um amor sem prazo pede mais que só uma parte, pede o todo

No dia anterior ele não dormiu...
Às portas de compromissos como esses ouvimos o barulho dos segundos como se fossem passos de gigantes em nossas camadas de gelo...

De doer!

E não se dorme, nem se deixa dormir

Ligou para quem pôde
Escreveu e leu até forçar algum tipo de sono
Tudo em vão

Apenas tricotou piscadelas olhando para lua cheia em sua janela
Breve sol despontou
Curioso: ele cegou!
Olhou tanto para aquele sol nascente
que esqueceu...  
desafiando-o
Cegaria...
Mas, para ele, valeu o olhar...


 Acho impressionante
Ter um momento na vida que sufoque todo o resto
Ter um alguém que traga uma lembrança tão forte
Que a mais Hercúlea força não o mova...

Cego por um momento, 
Dê algum nome aquele encanto:
o enamorar...

Lembrou que o encontro tinha sido marcado para noite
E não fez isso porque a noite é mais romântica
O fez porque temia que tivesse uma crise a luz do dia
Seria menos doloroso se as sombras lhe recolhessem e diminuíssem a imagem crua

Sem perceber
Lá estava...
Uma hora antes, no restaurante combinado
Mãos suando como nunca
Cada minuto olhava para o relógio quase parado – cheio de surpresa

Alguém tomou-o de repente
Fechou seus olhos
Era ela...
Não sabia como responder aquela brincadeira
Eles não tinham proximidades
Apenas se comunicavam por redes sociais, sempre frias e escamoetadas

Na vida tudo é cru
E só o que vale deve ser descoberto
Valeria?!

Ele ousou beijar a mão, o primeiro beijo tão sonhado...
Por horas conversaram
Por horas mesmo
Quase foram expulsos daquel recinto
Ele a convidou para sair
A deixaria em sua casa
Ela aceitou afirmando que já era tarde e trabalhava no outro dia

Ele caminhava e ela não podia perceber
Ele estava a flutuar
Eram tantos quilômetros de conversa a serem postos em dia
Eram tantos momentos raros para colecionar

Ele queria andar com a maior lentidão possível
Atrasar o curso ao menos do caminhar
Já que o tempo é irrefreável

Ela chegou a sua casa
Momentos antes ele tinha sentido fortes dores de cabeça
Mas nada disse
Jamais iria querer compartilhar tão cedo sua dor

Ela fechou a porta
Distraiu
Ele, segundos após, ruiu sobre a calçada

Porta fechada
Ela nada ouviu
Eu só estou narrando isso a vocês porque, por coincidência,
Tinha ido comprar remédios..
Tinha sido, para mim, um dia terrível, daqueles!!!
Resmungando pela noite
Vi a cena
Um homem caído
Duas pessoas olhando para ele, fingindo não ver, fugindo...

Parei o carro

Esqueci minhas dores e mal estar – a rabujenta calou-se, enfim!

Aquela dor que sentimos pode não ter cura,
Mas o melhor remédio sempre será esse
Não fechar-se em seu mundo
Olhar adiante e diante de si...
Foi o que fiz...

Segurei seus braços e pernas sem ajuda alguma
Nessas horas de atropelo
Acredito eu
Deus, seus anjos, nos dão uma força que não temos
    
Ultrapassamos tantos obstáculos nessa vida
Não acredito terem sido apenas as minhas pernas à saltá-los
Impossível!!!

Aos poucos ele foi retornando
Os olhos deixaram aquele desencontro
Sua cabeça aquietando ao chão
Ele suando muito perguntou quem eu era
Eu lhe disse:
"Sou alguém que também tem epilepsia.
Não se preocupe, eu sei como se sente, fique tranqüilo..."

Perdoem-me.
Eu menti!

Não tenho e nunca tive epilepsia
Falei isso só para que ele descansasse
E funcionou!
Tendo dito isso ele confiou a mim toda a história aqui narrada
Ele sossegou...

Ao final terminou sua história com um verso:

"Caí aos pés do meu sonho.
Rendido.
Relutante.
Sonhei.
O Vi.
Vivi.."

(Nesta hora sorrimos intensamente, esquecemos os nossos mares...)

O sorriso é uma oração!
A mais bela, a mais intensa..
Ele traz e leva...
Deixa só o que nos transforma...

Ele esquecia que teria que contar, um dia, de sua epilepsia
Eu esquecia meu dia, minhas dores

Numa porta entre-aberta ou fechada
Deus sempre nos enviará alguém, ainda que seja um anjo invisível para nos dizer

“Calma, eu entendo sua dor, eu também sou epilético...
Epiléticos Somos todos: hu(manos).
Basta identificar-se com a dor sentida por outro, como se a tivesse...:
esse é o princípio da cura...”

Desde aquele dia
Nos tornamos mais e mais amigos

Num dia de encontros ele tombou: beijou o chão
Num dia de dores eu saltei de mim: beijei a vida que tinha ali
O chão e a vida, ambos, sagrados...

Nos encontramos sempre...
Com portas abertas
Ou não....

Apenas
pare!
Repare...além de ti...



Ileide Sampaio

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Escrever é uma oração!


Queria tratar de algo que me custasse cada gota de tinta aqui derramada...

Queria mesmo era desenhar uma expressão que martelasse nos ouvidos da minha alma por dias...

Mas o que tenho em mãos é tão pouco...
Apenas papel e caneta...

Por isso percebi algo....

Escrever é uma oração!


Para quem olha para aquela aprendiz de escritor não há nada ali
Ela conversa com seres imemoriais – invisíveis
No canto da boca traz alguns sorrisos, as vezes chora
Tudo ali
Diante de um papel e uma caneta, apenas isso...

Mas o que a leva a escrever,
O que trará alguma linha rara?!
Ah, isso é indizível!

De onde brota a inspiração de Nietzsche, Shakespeare, Goethe, Dante, Quintana, Pessoa, Clarice e tantos outros..?!

Há sim alguma fagulha divina em escrever
Há algum mistério religioso

Uma prática e disciplina ferventando as ideias, liberando mais tom
Uma crise que se transforma em oração
Uma semana que se alheia toda, devota-se em terminar o conto, a crônica, poesia ou fado..

Não é fardo
É uma oração...

Como se cada parte do texto fosse uma paixão daquelas
Não faz bem nem mal, apenas não nos deixa viver sem

A escrita é a filha dessa paixão apavorada,
essa oração fervorosa...

O que ela nos pede eu não sei
Só sei que teimo, insisto: hei de escrever... Com ou sem inspiração: é minha reza, meu pedido, minha oração...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Inquietudes Humanas... (Um olhar por entre os cacos de ontens).



Naquele mar de sentimentos
tudo estava calmo.
Ela banhava-se de sóis imensos, multiformes e inspiradores...

Até trazer a grande onda sufocada.
Aquela que há tempos vinha sendo segurada pelos ventos da memória...
Ah, dia louco esse!
Algum canto de sereia deve tê-la forçado a isto...

Aquele dia sério trouxe um novo-velho sorriso...

Pelo Dom de Viver ela quis dar uma chance,
resolver aquelas intransparências,
Entregar parte da sua calmaria àquele sentimento diverso: de marés...

Eles correram para si
Ela ainda não sabe dizer se ela correu com ou sem ele ou se ambos sentiam o mesmo...

Mas Ele, quase adivinhado-a (eles se conhecem há anos), propôs o tempo todo que ela tocasse onde mais pulsava: aquele peito corria a mil..
Ela sorriu, por um instante, sonhou...

Aquele coração de novo ali inquieto por ela...
Sua mão sobre ele...quase sussurrando uma oração
Por um minuto, queria ter o controle

Já tentei não pensar sobre isso,
Mas é impossível!
Se pudesse ter um controle, ainda que remoto, sobre quem escolhi?!
Não falo de controlar no sentido tirânico
Falo de controle ao menos no sentido de previsibilidade
Chata essa mania que temos de emparelharmo-nos pensando: “O que será que ele(a) estará pensando?!, sentindo?!”
Queria um controle apenas com um botão: A VERDADE!

Mas Ele não poderia saber disso...

Ela sorriu, com a mão indo e voltando ao peito daquele livre amor, inquietante

A distância entre a mão e o sentir
O vale entre o que achamos do outro e o que realmente lá estará
É sempre assim
Por isso reclamo: deveríamos ter vindo com um Botão!
Mas o que temos são:

Inquietudes
Inconsistências
Imaginações
Importunações
Induções

Percebo que vivemos muito do que imaginamos
Imaginamos mais que vivemos?!
Eu não sei, mas em matéria de sentir somos iscados...


Queria adicionar algo que o fizesse sumir dos meus históricos mentais..
Do meu sentir...
Some de mim: O que sonhei,
mas diminua com a imagem quebrada do dia a dia...

Some!
Espelho quebrado!
Que eu quero viver...

Eu quero um tipo de inquietude, mas que seja tranqüila
Aquela que me reserve ao menos um pouco de verso, alguma rima ou cadência de sons
Estamos em dissintonia, desarmonizados e sorrindo

Isto tudo porque não ousarei requerer nada de ti
Não vou esgotar minhas palavras perguntando: Por que não ....

Ficarei observando como uma águia...
O problema é que eu não sei olhar adiante...
Eu não sei voar com os olhos num canto e outro..
Essa espécie humana precisa saber rever de si o ser estrábico de amar: é feio, deselegante...

Eu tenho olhos e alma plenos e presos...
Dessa inquietude de (a)mar...
Que Arrasta e benze...
Traz mistérios de imensidão, devastando marcos, dizendo estar
Solta
Boba
Tola
qual
Gota
.

Tenho angústias de coerência e sentido...
Tenho alma para paradoxos, mas sonho com quadros bem desenhados: quase cartesianos.
O devotar-se
O partir-se
O sentir ... (se)

Ah, Inquietudes Humanas!!!: Aquele espelho quebrado, quebrando-se...

Irei aos cacos!
Tomarei um que seja, ou alguns..
Com eles farei um caleidoscópio, incolor, cru...
Olhando para trás com um caco...
Olhando para trás como um asno...
Querendo ver o que virá – ainda olhando para trás?!
Sem perceber, e , ainda sim,
Entre as imagens multipartidas,
A imagem do sonho abandonado,

Vai crescer em ti..
Vai ficar imensa, na imensidão do existir...

E quando arriscar, quando ousar mais uma vez, e der errado aquele sentimento trilhado...
Vai sentir tudo novo de novo!
No mesmo tom arrastar e diminuir o (en)canto...
Estilhaçando o espelho do ideal e brincando nos pedaços de vidros restantes,
Cortando-se de tanto olhar..
Olhando por entre os cacos de ontem...
Teimando em
Olhar...

Das inquietudes humanas fica uma lição, também inquieta:

Olhar para trás é ter um vidro afiado na mão... 


;)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Traves ambulantes...



Pela pressa de seguir ia esquecendo.
Estava tomando o pé na areia quente, descalça.
Queria o máximo de mim.

É estranha a sensação de não caber em si.
De escapar-se.
Aquele sentimento de pressa estava preso – inquieto, mas imóvel.
Do nada reverteu-se em anseio e
De tanto querer, cegou em mim o olho para o algo mais.

“Ileide, as traves estão se movendo!”.

E para quem não sabe do que aqui falo, vou dar um breve relato.

Dia de sol fervendo e aquele olho por entre os fios de uma simples rede estavam a peneirar alguns segundos.

Não sabia se ia ou se ficava ali recolhida.

Por alguns instantes lembrei: esse dia pode ser comum ou único...

Ninguém além de mim pode destacá-lo...

O mais engraçado estava nesse misto de deitar e não dormir.
A insônia vem sempre acompanhada de um atropelo de questões.
Um sentimento híbrido, inconstante.

Alguém pode entender isso?!
Que somos mais inquietos quanto mais a aparente quietude nos atordoa?!
Quando não conseguimos andar no curso real de nossas rotinas e queremos ancorar em cada gota de água como se fosse um mar aberto ao novo...

Ela não resistiu mais fechar os olhos e não dormir e correu..
E falo “Ela” sabendo que qualquer um sentirá que falo desse “Eu em mim” , desse meu escorregão e aparente mergulho na existência...

Saindo.
Corri.
Mas dessa vez não era de mim...
Tomei um simples impulso: dei um salto daquela rede – me desprendi!

Aquele dia de pensar tornou-se num outro, ao avesso.

Arriscou-se em dunas,
correu com amigos e nadou diante do céu escandalosamente aberto...
Mas atreveu-se em olhar para trás.
Já eram 17:30h.

Como sabem, frio já corre por essas horas.
Mas Ela não o sentia
Cercada estava do que não previu, do que apenas sentiu e tomou pé..., que nem sabia mais do que outrora tinha ruminado...

Num joguinho simples: chinelos como traves.
Ela relembrou e traduziu seu dia.

Corria esbaforidamente.
Tentava  tomar a bola e atravessar as fronteiras de calçados...
Mas tinha que marcar alguns que corriam tentando fazer o mesmo do lado de cá...
“Ileide, as traves!!!”
De tanto correr não percebeu...

Alguma água danada os arrastou
Toda aquela correria de defender-me estava sendo vã
O máximo que conseguiria seria deixar o jogo empatado num zero a zero

Já notou como podemos perder?!
Como teimando num momento só podemos obstruir todo um dia que deveria ser único?!
Quantos casais que agora brigam amarrados num momento frio?!
Quantos dias que respiramos mais lento, pedindo fôlego, porque nos abandonamos nas redes de tantos medos e anseios?!
Quantos dias perdidos assim!?

Agora pense comigo:
Como seria meu jogo se alguém não tivesse gritado de fora: “As traves!!!”
Como seria se eu não tivesse ouvido por estar aturdida num único foco...!?
 E se eu tivesse me rendido àquela rede e pensar de insônia?!

Um instante pode ser o suficiente para resgatar a vida e o dia...

A vida pode ser peneirada sim
Pode ser angustiada, angustiante
Mas ela pede mais que o pensar: ela exige um salto
Uma escorregadela na existência impossível


Aquela rede abandonada
Aqueles calçados flutuando, movendo-se
Sabe a sensação de “missão cumprida”!?

Pois é: estava no meu Eu aquele frisson todo?!
Estava em mim aquela correria e vontade de examinar cada gota ?!
Estava aonde?!
De onde retiramos essa vontade quando em nosso EU já nada há!?

Deve-se a quem!?
A mim?!
Mas aqui dentro pulsa um coração ambíguo, contraditório, que grita silêncios e silencia berros

Dever-se-á à vida, ou ao Sol, em sua maneira linda de arrastar um amanhecer radiante após longa noite sombria !?!?

Dever-se-á ao Criador incriado?!

Que belas ideias: a rotação, translação...!!!
Múltiplos giros para nos fazer esquecer que rodopiamos sempre 
Tudo o mesmo
O que diferirá restará em nossas mãos
Mas precisamos aprender a andar sem enjoar,
diante de tantos e mesmos giros...

Devemos rabiscar novos e outros sóis, ainda que ainda estejamos...dia a dia...
sob o mesmo sol...


Pelo o q você tem guerreado?!
Tens ouvido os alertas  do dia?!
Tens escutado vozes além do Eu em ti?!
Tens percebido o que se moveu enquanto você cochilava ?!

A vida (re)quer percepção...

As traves da tua vida podem se mover, mas o Sol da Vida está intacto...

Corra!!!!


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Pergaminhos...



Meu pergaminho deve estar escrito,
Mas o que está engarrafada é a minha vida...

Ela flutua por ondas que nem sei de onde vieram,
Ela flutua,
ela ultra-passa o seu próprio passo,
Ela submerge,
mas é impelida...

Ela anda..
Não sabendo bem do  seu curso...
Ela segue...

Há um texto em seu vidro frágil...
Ele parece quase intacto...
As águas não conseguem invadi-lo totalmente...
E ela segue...

Flutuando, serenizando e estremecendo,
dentro de mim submergindo aos poucos e, ainda assim, seguindo...
O medo tem signos diversos

Flutuar dentro dos medos e águas invasivos
Caminhar mesmo engasgada de nós
Deve ser resultado de um Destino mesmo
Acho, hoje mais do que nunca,
Que somos cópias de um Deus silencioso demais!


Acho, apenas acho, não como crença, mas como esperança
Chegaremos e chegamos além dos medos multifacetados
Não por algo de nós
Mas
Por algo
EM NÓS!

Vou flutuando,
apenas isso...

domingo, 22 de julho de 2012

“O dia de hoje?!”





O dia de hoje?!
 qual queres conhecer?!
 o que se vive na pungência do sentir?!
 ou aquele diluído na absurdidade das escolhas vívidas?!


O dia de hoje?!
 já quase inexisto dentro dele.
 Pasmada entre segundos perdidos e achados no cruzamento das oportunidades perdidas.


O dia de hoje?!
 um susssuro....................
 que se rouba do tempo,
advindo de um encanto lúdico,
 do desvairar o instante num outro: sonho!
Calcado nas rodas da eternidade
 Anormalmente etéreo....comum.


O dia de Hoje?!
 Será um misto de um outro dia?!
Um sintoma desperto daquele inesperado
devir...




O dia de hoje,
essa escuridão:
passageiros...


Seguirão seu curso...

Abandonados,
no
Dia de hoje que se foi, no abrir e fechar dos meus olhos que teimam




 insones...