quinta-feira, 22 de julho de 2010

O PROBLEMA NÃO É O CAMINHO...




Das muitas caminhadas que já tinha visto, aquela parecia a mais longa...

O sol gritava forte e o seu amarelão esperneava em toda sua pele, mas ele ainda estava no MEIO DO CAMINHO...

Calma! Você não deve estar entendendo nada, mas também, é que eu comecei a história do MEIO DO CAMINHO, deixe-me voltar um pouco e tentarei escovar os espinhos que possam querer surgir nesse início...

Estou contando a história de um senhor que, desde cedo, prometera a si: “Ao aposentar-me dos labores desta terra eu passarei um ano me preparando para a MARATONA anual que acontece nessa cidade e EU CHEGAREI ATÉ o FIM dela...”

Para quem está ainda no começo de suas empreitadas e pensa que aquele dia sonhado não chega, perceba: ELE CHEGARÁ e chegou!

Como prometido, aquele senhor ousado calçou a sua alma...Procurou um MÉDICO especialista que fez todo acompanhamento médico-nutricional e físico necessário...e lá se foi RAPIDAMENTE aquele ano em que seu PLANO estava sendo CALÇADO para a batalha...

Dia então raiou...Lá foi o senhor aposentado...e inscreveu-se na MARATONA ANUAL...era uma manhã de inverno, este clima não era esperado por seus organizadores, mas o tempo é senhor de si – não há como detê-lo...

Devido ao aumento do inverno o evento teve que ter o seu local de término deslocado para fora da cidade...e foi de lá – da notícia DE UM FIM NÃO ESPERADO, de um CLIMA CONTROVERSO que o senhor iniciou sua empreitada...

E...foi dada a largada...

Todos corriam alvissareiramente, gritando, ofegantes de andar apenas alguns metros e fazer algum barulho...

Aquele senhor, quase hígido, continha sua visão no metro seguinte, na curva próxima, naquele quilômetro ainda não vencido...

Enquanto o silêncio do céu ventilava seu sonho, as pessoas se atordoavam com os gritos que ouviam de fora...

Longas horas e muitos ficavam ao chão com suas vontades....

A sede palpitava a alma de alguns e pediam águas para a torcida e água era dada...(só que não percebiam que ao pegarem a água também paravam o curso de sua rota...)

Mas aquele senhor não, ele havia se preparado bem, estava com a quantidade de água calculada, sabia qual a metragem em que havia de tomá-la...

E...seguia!, já os outros corredores iam ficando não mais atrás dele, mas FORA DA ESTRADA...

Enquanto os que antes corriam na sua frente só tinham ouvidos para torcida o senhor SEGUIA MILIMETRICAMENTE OS CONSELHOS do SEU PREPARADOR físico...e

Entre relógios, pulsos e gotas de suor, ele intercalava os CONSELHOS e os ALERTAS do seu MESTRE...e seguia...!

Eu olhava, curiosa, a cena; eu, sinceramente, não apostava que aquele senhor caminharia tanto, eu parecia confusa com a forma que aquele dia ia se desenhando sobre meus olhos...

Era incrível...vê-lo sereno, mesmo suando e desacreditado...ele parecia não ouvir nada que falavam, NÃO OUVIA A MULTIDÃO, não ouvia os locutores... simplesmente...seguia!!!

Já chegava a metade da corrida e o CLIMA FOI MUDANDO, o SOL, reacendendo seu brilho, nesse momento o corpo já não queria o calor – mas ele foi dado...

E naquele CLIMA ADVERSO e dado de surpresa aos participantes - os semblantes começaram a desfalecer: o cansaço misturado a ansiedade DE CHEGAR LOGO faziam os afobados JOGAREM A TOALHA...e o pior...o final da corrida se aproximava e O CAMINHO ERA OUTRO – fora da cidade...

Longe da cidade.. alguns corredores perdiam-se por não verem mais os gritos de incentivos, as águas já não eram tão frequentes em suas entregas...pois é, os vanguardistas acostumaram-se mal, muito mal...e o senhor em seu silêncio e concentração profundos nem notou a diferença...

Lá estava ele, eu seguia calada aquela cena incrível, o sol pinicava a pele do senhor e ele nada dizia, notava as vezes que os pés reclamavam de dores e ele apenas respirava mais e mais controladamente...

Que dia aquele...o dia em que os olhos são envergonhados – quando a aparência engana – esse dia é ÚNICO!

Na última curva amontoou-se um monte de jornalistas e pessoas querendo tomar a imagem do VENCEDOR, o senhor, no mesmo passo seguia, foram caindo da jornada os únicos dois participantes e o senhor tomou a ponta -

A fita estava lá e ele serenamente ultrapassou pelo lado de fora da fita e foi adiante...

PAROU TUDO! MAS COMO ALGUÉM, APÓS TANTO ESFORÇO, NÃO FAZ O MÍNIMO QUE É CORTAR A FITA FINAL?!

O senhor, exausto, parou bem mais a frente e concedeu a tão sonhada resposta para aqueles olhinhos curiosos (dentre os quais os meus)...ele respondeu:

“Cortar a fita?! E isso faz alguma diferença?! NÃO CORRI PARA VOCÊS!

A META ESTAVA FINCADA ENTRE MEUS OLHOS E OS DE MEU MESTRE. NÓS FIRMAMOS UM PLANO, ELE ME TREINOU E EU CHEGUEI ALÉM DO QUE EU IMAGINAVA.

PORQUE NÃO OUVI A MULTIDÃO, NÃO OUVI OS LOCUTORES E JORNALISTAS, NÃO ME INQUIETEI COM O TEMPO LOUCO, COM AS DORES INTENSAS....

EU SABIA PARA ONDE ESTAVA INDO E COM QUEM!! A FITA?! FIQUEM COM ELA...PARA QUE NÃO MAIS ESQUEÇAM DESTE DIA....”

E seguiu como um pássaro...

livre...e atordoante...

Porque numa CORRIDA LONGA o que vale:

não são os pés longos, mas uma mente treinada;

não são os olhos apressados, mas a respiração serena – confiante e FIRME!;

Não é o que aprendeu, mas o que está disposto a reaprender e reajustar;

Não é o quanto somos fortes, mas o quanto nos preparamos e COM QUEM!

vÊ?!

O problema não é o caminho – mas A TUA CAMINHADA...

Em Cristo Jesus,

Ileide Sampaio-=]



terça-feira, 22 de junho de 2010

Sinais na escuridão...




Trovões costumavam amedontrar não apenas crianças, mas também muitos habitantes daquele vilarejo...Contrariando a normalidade do local, um rapazinho corria ousadamente em meio aos trovões e relâmpagos sonoros e alargava passos mais rápidos a casa de seus vizinhos apenas para provocá-los:

“Que esperam, medrosos?!, que os raios fujam de vós por fingirem que estão bem protegidos?! Escutem nesse barulho os deuses comunicando a certeza da vida: não há cabanas seguras!, raios podem formar-se em turbas de furacões e tornados...querem mesmo saber?!...caminhar em meio aos raios é escalar luzes coloridas...daqui de fora vejo a grandeza e a temeridade bem nos olhos...”


Isto repetia-se quase sempre – pois, se o jovem rapaz não estivesse pronto às ruas, ninguém mais estaria.
Os trovões pareciam mais silenciosos, gotas de chuvas mais serenas, tudo estava meio estranho naquela noite de trovoadas – e, onde estava aquele rapaz aventureiro?! Será que estava aguardando que o terror aumentasse para urrar aos quatro ventos suas vitórias quanto ao medo?!
Semanas e meses passaram – sempre que chovia aumentava a curiosidade do povoado em ver o rapazinho ironizando as luzes raivosas no céu...
Foi necessário um dia de “novo” – alguém abriu a porta – esqueceu o terror que zumbia dentro de si e foi à procura do rapazinho...
horas a fio...sem encontrá-lo...
Quando chegou ao cume mais alto daquele povoado encontrou o menino com frio, medo e terror...
Estava escuro, os raios não paravam sua batidas no estro celestial... e a fronte do rapazinho tremia... (ele o reconheceu - era um de seus vizinhos...)
Em silêncio profundo aquele homem tomou o menino em seus braços, enfrentando não apenas a escuridão de seus medos, mas um cansaço que se fazia mais agudo a medida que a chuva ensopava corpo e chão...e o carregou até sua casa...
Ao chegar a casa, ainda em silêncio, ofereceu ao rapaz abrigo e mantimentos...este adormeceu...
Dia claro – o céu é uma assombrosa maneira de vermos extremos serem silenciados – o rapaz levantou – a mesa estava pronta, o homem em silêncio serviu o rapaz...
Um nó irritadiço começou a desafiar o menino, precisava agradecer...até que rompeu o silêncio:

“Senhor, porque arriscou sua vida por minha causa?! Logo eu que chicoteei seus ouvidos e os de muitos por tantos anos?! Sinto-me agradecido, mas também envergonhado..”
O homem apenas sorriu, nada disse...
O rapazinho ficou mais inquieto: “Nem ao menos quer saber por que eu estava ali?!”

Naquele momento o homem mergulhou em seu pensar e abandonou algumas palavras:

“Por que Você estava ali?! Essa é resposta que não podes me dar...sua vida para os outros bombardeou sua perspectiva de si...sempre ouvi seus gritos como quem ouve um bebê chorar...ao ouvir o silêncio da noite sabia que estava perdido porque algo o trouxe a sua fria realidade...fui ao seu encontro porque há muitos anos perdi meu filho...ele sempre dizia: ‘Pai, queria um irmãozinho que estivesse do meu lado na hora dos raios, pois enquanto o senhor dorme eu ainda fico com muito medo’..naquela noite acordei como se ouvisse meu filho chorar de medo...Tudo parecia anil - os raios pareciam setas indicadoras - sinais divinos - não ouvia mais nada a não ser seu choro...até que,
vencendo minha escuridão ....

achei você....” .

ileide sampaio...-=]

Brooke Fraser - Faithful... poucas músicas dizem tanto...





Faithful
There's distance in the air
And I cannot make it leave
I wave my arms `round about me
And blow with all my might


I cannot sense you close
Though I know you're always here
But the comfort of you near
Is what I long for


CHORUS
When I can't feel you
I have learned to reach out just the same
When I can't hear you
I know you still hear every word I pray
And I want you
More than I want to live another day
And as I wait for you
Maybe I'm made more faithful


All the folly of the past
Though I know it is undone
I still feel the guilty one
Still trying to make it right


So I whisper soft your name
And let it roll around my tongue
Knowing you're the only one who knows me
You know me


CHORUS


Bridge
Show me how I should live this
Show me where I should walk
I count this world as loss to me
You are all I want
You are all I want
Tradução:

Mais Fiel
Há distância no ar
E eu não consigo fazer passar
Eu aceno meus braços ao meu redor
E sopro com toda minha força


Eu não posso te sentir perto
Contudo eu sei que estás sempre aqui
Mas o conforto da sua proximidade
É o que eu anseio


REFRÃO
Quando não posso te sentir
Eu tenho aprendido a alcançar da mesma forma
Quando não posso te ouvir
Eu sei que Tu ainda ouves cada palavra que eu oro
E eu Te quero
Mais do que eu quero viver outro dia
E a medida que eu espero por Ti
Talvez eu seja mais fiel


Toda a tolice do passado
Embora eu saiba que está desfeito
Eu ainda me sinto o culpado
Ainda tentando acertar


Então eu sussurro Teu nome
Deixo isso rolar em minha língua*
Sabendo que és o único que me conhece
Tu me conheces


REFRÃO


PONTE
Mostra-me como eu devo viver isso
Mostra-me onde eu devo andar
Eu considero esse mundo como desperdício pra mim
Tu és tudo que eu quero
Tu és tudo que eu quero

terça-feira, 8 de junho de 2010

Das teorias diluídas....


Não há sossego
Não há descanso -
Nem pausas.
Tudo parece solto – perdido...
O mundo congela alguns momentos
Só para diluir minhas teorias
Para fazer desmoronar meus cálculos
OH vida, caixinha de Pandora que cintila e impressiona, mas ao abri-la...
Todas as nossas teorias de “fazer dar certo”, simplesmente, fracassam.
Mas no final das contas – e não são poucas
A gente cresce
A gente se vê apegado a fôlegos ulteriores – ao desconhecido e virgem amanhã...
Ouço-o como quem segue cânticos de sereia, mas agora sem mastros que me impeçam de ir
Esqueço os cálculos errados
Percebo que a VIDA germina nos terrenos mais pantanosos

Ah, vida...
Ah, sonho...
Ainda faço vocês abraçarem-se
num terno
e
Eterno... encontro...

ileide-=]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Das lembranças....





Qual vulcão esquecido que um dia despejou fagulhas para todos os lados – adormecido e perigosamente vivo –
tal qual são as lembranças.
Se elas agora despertassem de seu sono muitas frases seriam soltas, outras teimariam em continuar presas naquelas finas camadas - na derme dos espaços preparados para o esquecer.
E não adianta tentar contê-las
Durmam quietas, inquietas imagens que teimam em me aturdir - em fazer meu hoje sombreado, turbulento de vozes e sentidos que já não estão aqui; simplesmente, durmam!
Há quem pretenda dizer que enterrará vulcões, que o esquecimento os batizou com um buraco negro na alma para onde vai todo princípio de erupção – Nisto Nietzsche : “É possível viver quase sem lembrança, e viver feliz, como demonstra o animal, mas é impossível viver sem esquecer.”
Sponville trata do esquecimento como uma HIGIENE NA ALMA, como um aspecto de sanidade, de continuidade e prolongamento da vida – de uma necessidade e virtude que devemos exercer – se quisermos mesmo, mais que sobreviver...

A PERGUNTA QUE NOS RESTA É: Como, então, vivemos?!? Se os vulcões lá estão - longamente adormecidos?!


Diga-te:
“Há quanto tempo não erupciona a sua alma?!”


ileide-=]

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Marca de um Pássaro



Não gosto muito de me aventurar em metáforas - mas essa foi uma tentativa, creio,

feliz-=]

...
Chama-se (batizo textos como se fosse uma cria minha, talvez seja - da alma):


"A Marca de um Pássaro"



Dois pássaros, como de costume, cortavam os céus numa manhã ensolarada até que foram feridos, repentinamente, por algumas pedras...


Muitos dias passaram em Terra, esperando que as feridas curassem e aguardando o dia de suas melhoras.
Quem saberia o dia?!

....


Mas ele chegou e os dois subiram às alturas, contudo, de repente um dos pássaros olhou para baixo e teve medo:
“ será que é mesmo seguro?!Acho que vou desistir..."


Enquanto isso, o outro pássaro queria desafiar as alturas até então inalcançadas por ele,

mas ao perceber que o outro pássaro estava descendo se desesperou e gritou:

“Amigo!!! Para onde vais?! Por que estás descendo?!!

Venha ver quantas Novas Maravilhas há aqui em cima!!!”

O outro pássaro respondeu:

“Amigo, não tenho mais coragem de me expor tanto...é muito arriscado....sempre que vou subindo lembro-me daquele dia...”

Seu amigo sem entender o porquê de tanto medo disse:

“Dia?! Que dia?!”

E o outro pássaro lhe respondeu:

“Lembra quando estávamos juntos sovbrevoando a Terra e fomos atingidos por pedras terríveis!!! Você não lembra?!”

Ao que se amigo respondeu:

“Pedras?! Que pedras?! “ e sorriu lagarmente...
“Você está falando do dia em que fomos marcados por Deus para enfrentarmos desafios?!” e mais uma vez estendeu os lábios num largo sorriso...


“Pedras?! Não, eu não lembro! Eu não permiti que elas marcassem minha alma, porque nasci para voar....As marcas que aqui tenho, são signos, sinais de que eu estava no local certo: ÀS ALTURAS!!!”

e sorriu deveras...
“E olha amigo, se Deus me fez para voar este é o lugar mais seguro para eu estar!!!, vamos?!”

O outro pássaro entristecido, preso às suas lembranças, mesmo depois de tudo que ouviu acabou descendo...
...

Ao solo, seus dias foram passando..
Nem ele mesmo percebia...
Suas caracerísticas foram sendo perdidas...

Desaprendeu a voar...

Perdeu o seu canto e as únicas coisas para as quais conseguia olhar eram:

Para a ferida em seu peito

E seu ninho - estranhamente deitado ao chão

Fragilizado pelas criaturas terrenas e seu pó ...

Nada mais...


ileide sampaio-=]


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Do anseio...





Aqueles dias em que a esperança toma o viço do medo

Quando a alma é arrebatada pelo cálido segundo ainda não despetalado

Nesses dias em que fenece a alma pelo anseio resguardado entre muráis de bronze

Encontro-me ausente do instante que se apresenta

Sou um outro momento e não o agora

Um instante disperso, sem azo nem passo

Uma porta entre-aberta

Uma casa destelhada pelos ventos do medo –

num pleno deserto.

Cura-me então a sede, Deus sem-pressa

Trata-me os olhos da alma

Ajuda-me a destrilhar os passos do desassossego

Erige em mim um altar-silencioso

Um acesso a tua harmonioza morada

Acesa por teus serenos olhos....











nada mais!

ileide-=]


Como afirmado pelo meu querido Goethe:

"[....] Oh vida! oh labirinto!
de novo o mesmo sois.

Já renascer me sinto.
[....]
Começa em vagos sons meu estro a palpitar,
qual de uma harpa eólia o triste delirar...

Já sinto estremeções; o pranto segue ao pranto,

e o duro coração se abranda por encanto.

O que foi, torna a ser. O que é, perde existência.
O palpável é nada. O nada assume essência. "...genial..."O FAUSTO", por favor - leiam!!!

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