"A poesia é uma expressão do não-ser do poeta. O que escrevo não é o que tenho; é o que me falta. Escrevo porque tenho sede e não tenho água. Sou pote. A poesia é água. O pote é um pedaço de não-ser cercado de argila por todos os lados, menos um. O pote é útil porque ele é um vazio que se pode carregar. Nesse vazio que não mata a sede de ninguém pode-se colher, na fonte, a água que mata a sede. Poeta é pote. Poesia é água. ". (ALVES, 2014. p.112).
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Recomendações..meu querido "Pequeno Tratado das Grandes Virtudes "...Se não os inspirar decerto morrestes - perambulas ainda e apenas com tuas pernas.
compreender o que deveríamos fazer, ou ser, ou viver, e medir com isso, pelo
menos intelectualmente, o caminho que daí nos separa. Tarefa modesta, tarefa
insuficiente, mas necessária. Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres), e
alunos precisam de livros; é por isso que eles às vezes escrevem livros, quando os
que têm à mão não os satisfazem ou sufocam.
Ora, que livro é mais urgente, para
cada um de nós, do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse,
na moral, do que as virtudes? Assim como Spinoza, não creio haver utilidade em
denunciar os vícios, o mal, o pecado. Para que sempre acusar, sempre denunciar?
É a moral dos tristes, e uma triste moral. Quanto ao bem, ele só existe na
pluralidade irredutível das boas ações, que excedem todos os livros, e das boas
disposições, também elas plurais, mas sem dúvida menos numerosas, que a
tradição designa pelo nome de virtudes, isto é (este é o sentido em grego da
palavra arete, que os latinos traduziram por virtus), de excelências.
O que é uma virtude? É uma força que age, ou que pode agir. Assim a virtude de
uma planta e de um remédio, que é tratar, de uma faca, que é cortar, ou de um
homem, que é querer e agir humanamente. Esses exemplos, que vêm dos gregos,
dizem suficientemente o essencial: virtude é poder, mas poder específico.
A virtude do heléboro não é a da cicuta, a virtude da faca não é a da enxada, a
virtude do homem não é a do tigre ou da cobra. A virtude de um ser é o que
constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria: a boa faca é a que
corta bem, o bom remédio é o que cura bem, o bom veneno é o que mata bem...
[....]
Se todo ser possui seu poder específico, em que excele ou pode exceler (assim, uma faca excelente, um remédio excelente...), perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem. Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais, ou seja, a vida racional. Mas a
razão não basta: também é necessário o desejo, a educação, o hábito, a memória...
O desejo de um homem não é o de um cavalo, nem os desejos de um homem
educado são os de um selvagem ou de um ignorante. Toda virtude é, pois, histórica, como toda a humanidade, e ambas, no homem virtuoso, sempre coincidem: a virtude de um homem é o que o faz humano, ou antes, é o poder específico que tem o homem de afirmar sua excelência própria, isto é, sua humanidade (no sentido normativo da palavra). Humano, nunca humano
demais... A virtude é uma maneira de ser, explicava Aristóteles, mas adquirida e duradoura, é o que somos (logo o que podemos fazer), porque assim nos tornamos. Mas como, sem os outros homens? A virtude ocorre, assim, no cruzamento da hominização (como fato biológico) e da humanização (como
exigência cultural); é nossa maneira de ser e de agir humanamente, isto é (já que a
humanidade, nesse sentido, é um valor), nossa capacidade de agir bem. “Não há
nada mais belo e mais legítimo do que o homem agir bem e devidamente”, dizia
Montaigne. É a própria virtude.
Isso, que os gregos nos ensinaram, que Montaigne nos ensinou, também pode ser
lido em Spinoza: “Por virtude e poder entendo a mesma coisa, isto é, a virtude,
enquanto se refere ao homem, é a própria essência ou a natureza do homem
enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer apenas
pelas leis de sua natureza”; ou, eu acrescentaria, de sua história (mas esta, para
Spinoza, faz parte daquela). Virtude, no sentido geral, é poder; no sentido
particular, poder humano ou poder de humanidade. É o que também chamamos
as virtudes morais, que fazem um homem parecer mais humano ou mais
excelente, como dizia Montaigne, do que outro, e sem as quais, como dizia
Spinoza, seríamos a justo título qualificados de inumanos. Isso supõe um desejo
de humanidade, desejo evidentemente histórico (não há virtude natural), sem o
qual qualquer moral seria impossível. Trata-se de não ser indigno do que a
humanidade fez de si, e de nós.
A virtude, repete-se desde Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o
bem. É preciso dizer mais, porém: ela é o próprio bem, em espírito e em verdade.
Não o Bem absoluto, não o Bem em si, que bastaria conhecer ou aplicar. O bem
não é para se contemplar, é para se fazer. Assim é a virtude: é o esforço para se portar bem, que define o bem nesse próprio esforço. Isso levanta certo número
de problemas teóricos, que tratei em outra parte. Este livro pretende ser, inteiro,
de moral prática, isto é, de moral. A virtude ou, antes, as virtudes (pois há várias,
visto que não se poderia reduzir todas elas a uma só, nem se contentar com uma
delas) são nossos valores morais, se quiserem, mas encarnados, tanto quanto
quisermos, mas vividos, mas em ato. Sempre singulares, como cada um de nós,
sempre plurais, como as fraquezas que elas combatem ou corrigem. São essas
virtudes que tomei aqui como objeto. Se bem que minha intenção não fosse
evocar todas elas, nem esgotar qualquer uma delas. Quis apenas indicar, para as
que me pareciam as mais importantes, o que elas são, ou o que deveriam ser, e o
que as torna sempre necessárias e sempre difíceis. Daí esse tratado, de que o
título bem indica a ambição, quanto a seu objeto, e os limites, quanto a seu
conteúdo."...
e continua...em todo o tom de profundidade e beleza - como se filosofia você a arte de pensar o cotidiano - sem aforismas e aporias abstratas...
valho-me deste texto apenas para eriçar a leitura de livros "pensantes" que nos façam pensar de si; para si; por si...pensar...gnothi seauton!!
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Citando um "novo" autor...
Ou seja, é de suma importância que esse domínio não seja explicado em demasia ou em muito detalhe; é fundamental que nenhum mapa até ele seja esboçado, porque que cada um deve encontrar-se por si mesmo com ele no terreno do coração.
Como explica Campbell, ser capaz de enxergar o reino – isto é, olhar para dentro de nós mesmos na condução gentilíssima do espírito e ver o solo preparado para essa impensável conciliação universal e para essa terrena transcendência – é que é o fim do mundo.
O fim do mundo é apenas o começo...."Paulo Braboo
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Trepidações – e eu andando acima do sentir...
Uma imagem encerra signos indizíveis....,
mas o final de um tremor
sempre nos assalta...não importa...
andei acima do que senti...
As palavras faltavam e falavam - num silêncio único...
Naquele instante de nevoeiro lembrei-me de saldar o momento:
“BEM-(DITOS) os lugares que ainda nos podemos recolher!”,
mas apenas por alguns minutos
(não deve haver nada pior que habitar na Ilha das almas solitárias, ou há?! ).
Eu ouço e sigo Pv18:1, por isso não saúdo os lugares herméticos,
Muito menos as fugas aos montes e mosteiros.
Falo do silêncio da alma...
Quando se possui todo o gosto pelo seguir e as pernas da alma andam de forma trôpega...
Já sentiu o azo do cansaço lhe perturbar?!
Acalme-se!
É exercício:
aprenda nos silêncios,
cresça nas pausas,
exercite forças recriadas...
E se a fraqueza disser que não poderá vencer a lâmina do próximo segundo...
Ao menos tente...
tresmalhe-se e ajunte-se por alguns minutos
Você vai ver, em poucas páginas de calendários seu sorriso terá marcado novo encontro com tua alma!
Vê esse texto?!
Veio de algumas trepidações na alma –
Há motivos que nos escapam – não tente enfurnar-se deles!
Ande acima das Trepidações – mas com calços!
não tem que nos amedrontar...
sonhe mais!
vença-se por vezes!
Feche mais os olhos para seus dizeres de reclames!
poetize e faça verso: "Dor que me incide, hei de ver-te ir num caminho de ida eterna!"
Vamos lá!
Tente andar acima das nuvens!
As piores águas que temos que vencer são aquelas que encastelamos no silêncio de nossas angústias....
são elas que ruminam as trepidações que já se foram!
se não há respostas
dance bem acima das interrogações!
Como se tudo fosse imagem do segundo que o tempo, simplesmente, engoliu!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Há algo que me espanta mais que o caos...
Como a sombra do menino no colete da Cruz Vermelha,
viram-na?!
Não apenas detalhes...
Notaram o que desceu após a poeira do caos que engoliu o Haiti?!
Vocês ainda não notaram?!
Brigas pelo domínio de um aeroporto!,
Que irônico! Em cena: os EUA, comandando e fechando tudo a sua ordem:
tentando refazer o caos
(já que não conseguiram no oriente médio...quem sabe sua projeção psíquica consiga algo?!).
E para isto enviou seu mais ilustre representante: Bill Clinton!,
Viram-no ajudando a pegar algumas garrafas com água?!...
irônico ou proposital?!
O que a história dirá dessas curvas?!
Há fatos que me causaram tanto ou maior espanto que a tragédia experimentada no Haiti -
outros micro-hecatombes não esquecidos por mim:
Repórteres filmando pessoas como se elas fossem estátuas frias e impessoais;
Pessoas debaixo do pó,
Olhos farpeados de “flechas” das câmeras das tribos da notícia:
Extra! Extra! Mais uma desgraça!
e por último, Num desfecho fantasmagórico, e muito além do seu próprio caos,
O desconjuntado Brasil,
...investindo o que restou da corruptela anual...
(como afirmou Roberto da Matta, aqui no Brasil:
“O que se perde de um lado, ganha-se do outro.”
O que faz o brasil, Brasil? Rio de Janeiro, Rocco: 1986. p.30.
num ano eleitoral vê-se de tudo!).
E eu em minha casa distante,
o que eu faço?
Apenas vejo e debulho algumas lágrimas e ...
nada...
Abro novamente a televisão – temo que as pessoas estejam agora mais ocupadas com o BBB...
Penso, intensamente, e .... desisto – senão decairei de minha crença no futuro da humanidade...
Impotente!
É o caos...!?
Numa humanidade que esqueceu o todo
Que brinda à luz do ouro
E não se importa com movimentos sócio-ecológicos
Nesse nosso universo imodesto – o caos parece abalar o entorpecimento
Agora meus discursos de preocupação ambiental parecem acolher mais ouvidos
Ainda que sejam poucos
Poucos?!
É verdade...
O caos não conseguiu abalar as pompas!
E é isso que mais me assustou:
Ver os EUA e outros países brigando pelo aeroporto do HAITI...
Simplesmente - Abutres!
E eu que pensei que o caos seria minha maior indignação
Não!
Não brigarei com Deus por ter permitido isso
...deixar o homem escolher não pode ter sido um erro...
ou pode?!
o problema não é esse, mas sim quem o cometeu?!
...
Eu continuo aqui,
garimpando nuvens –
a verdade em tudo isso é que gostaria de ser essa mulher que segurou a criança,
que vasculhou entre os gritos outro sobrevivente do caos.
Não levaria câmeras para registrar nada - a alma é mais preciosa para mim!
Se estivesse lá, talvez, só assim
transformaria todo o meu texto...
mas o que me espanta é que o estão fazendo os que já lá estão!
Eles me assustaram mais que a devastação...
...
Queria ter estado lá,
Vestindo a roupa da cruz vermelha ou não,
Mas salvando que fosse um único haitiano,
lembram ainda da sombra?!
Aquela do menino escolhido pela vida!!!
Ela lembrou-me que os anônimos dos resgates no haiti são os verdadeiros heróis...
que ainda me fazem crer na humanidade...
E sonhar com despertamentos...
...
a verdade é que
Eu ainda ando garimpando nuvens...
valores invisíveis, mas também
irrenunciáveis...
o problema é que ninguém quer ver as sombras...
que se dirá sê-las?!
sábado, 16 de janeiro de 2010
Fé e Razão - conciliáveis, mesmo nas incertezas...

A antiga discussão entre os defensores da fé e razão, como se as mesmas fossem pólos opostos de mundos díspares, já padece de espaço. Não há como dissociar a razão da fé, já que a experiência espiritual é absorvida por um ser racional por excelência.
A história tem comprovado que a fé frouxa, desprendida de razão, que não se importa pela colocação inteligível que discurse sim o impossível, mas pela veia de muitos impossíveis que a própria experiência humana experimenta todos os dias, já não se sustenta sozinha...
O desafio da Igreja na Contemporaneidade é ensaiar a razão nos campos férteis da fé. A fé potencializa o homem, levando-o mais adiante das experiências meramente sensoriais. Portanto, mesmo nas incertezas, já que não teremos respostas para todos os motes de fé, nem para os racionalistas extremos..., elas andarão longa caminhada, mas de mãos dadas...
Vale aqui um pouco de Descartes para desanuviar qualquer impressão:
Em resumo, se ainda há homens que, depois das razões por mim apresentadas, não estão persuadidos da existência de Deus e da alma, quero que saibam que menos certas são as coisas das quais talvez se julgue mais seguro, como o ato de possuírem um corpo, ou de existirem os astros, a terra e coisas semelhantes. [....] Que os melhores espíritos estudem quanto quiserem; não do universo creio que possam apresentar uma razão suficiente para dissipar essa dúvida, sem pressuporem a existência de Deus.
(DESCARTES, René. Discurso do método: regras para a direção do Espírito. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 44,45). Grifo Nosso.
é isso...
as aporias servem para isso: fustigar as áreas comuns....
dá-lhes chicotes!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Gotículas - são meus, agora não mais secretos, aforismas que tento cunhar....
Do medo –
É apenas o verso de uma moeda que não apostamos, mas acalme-se! As probabilidades máximas dependerão apenas dos ares que a lançou e das mãos que a moveram ao limbo – tudo reunido num silêncio interminável. Não prenda a respiração e ela cairá outra vez em sua mão: DOMINE-A!
Do trabalho -
a herança do jardim perdido. As tribos sorriem dele, mas nós, os donos da civitas, permanecemos honrosos ao seu lado. É ele a companhia dos inseguros – os desempregados deveriam chamar-se: desamparados!
Dos inimigos –
a tentativa de retirar o pó dos pés nem sempre consegue limpar a alma.
Dos oportunistas – O ranço da serpente. Miúdas! Alimentam-se sempre do pó dos passos de quem está em posição superior. Cuidado para não descalçar os olhos, elas adoram calcanhares ingênuos e vivem dependuradas nas árvores desta vida!
Do tempo - Só o tempo será de senhor dos sonhos...não deixe aquele ir sem estes...
Desmistificar - nossos mitos são aqueles que a alma não quis interpretar por medo ou outro sentimento de fuga....
Da falta – Ela, nem sempre, é sinal de escassez.
Que este mundo farto de todas as coisas ôcas corrobore isso!
Da integridade – O vinho de um espírito que não se fraciona em pílulas de camuflagens. É o princípio vital do ser que quer ser - humano!
Da alegria – suspensa em finas camadas de segundos, e, ainda assim, se quer eterna. É amiga dos peregrinos de alma.
Dos sonhos - são centelhas divinas, embaralhados, mas para quem os tome como fôlegos são certeiros.
Ventilar aqui a poesia, me inspirar e transpirar alguns rabiscos...eis Bernardo Soares(F. Pessoa) em seu Livro do Desassossego!
A posse é para meu pensar uma lagoa absurda – muito grande, muito escura, muito pouco profunda. Parece funda a água porque é falsa de suja.
A morte? Mas a morte está dentro da vida. Morro totalmente? Não sei da vida. Sobrevivo-me? Continuo a viver.
O sonho? Mas o sonho está dentro da vida. Vivemos o sonho? Vivemos. Sonhamo-lo apenas? Morremos. E a morte está dentro da vida.
Como a nossa sombra a vida persegue-nos. – E só não há sombra quando tudo é sombra. A vida só nos não persegue quando nos entregamos a ela.
O que há de mais doloroso no sonho é não existir. Realmente, não se pode sonhar.
O que é possuir? Nós não o sabemos. Como querer então poder possuir qualquer coisa? Direis que não sabemos o que é a vida, e vivemos... Mas nós vivemos realmente? Viver sem saber o que é a vida será viver?
Lagoa da posse
Nada se penetra, nem átomos, nem almas. Por isso nada possui nada. Desde a verdade até a um lenço tudo é impossuível. A propriedade não é um roubo: não é nada."
perfeito!
Ah se os capitalistas ouvissem isso!!!!!,
mas só conseguirão aqueles quem lerem com os olhos da alma...
eles não podem, cegos...
vederam suas íris por alguns trocados...
promovo aqui uma nova cura, aquela que aTINJA a alma!
algo
incrível
reflexivo
e
incisivo...:
ah se MUITOS nominais "cristãos" ouvissem isso...
eu ainda escuto vozes no desertooo...
