segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O caminho e seus assaltos...


Se você fosse assaltado no meio do caminho?

Se a força para voltar fosse tão pequena quanto a para continuar?

O que você faria?

Sentaria até reaver o fôlego?

Teria medo de novos assaltos?

Tudo isso, simplesmente, não importa.

Não somos consultados.

O insulto serve para adormecer nossos calos e, simplesmente, caminhamos.

Não porque somos “super seres”, mas porque não nos trajamos de quietismo.

Às vezes caminhamos por caminhar, imprecisos e preciosamente fugindo, mas estamos indo...

Quem sabe, um dia chegamos, ou apenas saímos do lugar.

Não importa se andarmos em círculos, os passos estão sendo dados na areia do tempo...

O vento nos faz vertiginar e apaga todas as pistas...

Salvo aquelas que ouvimos, as experiências que tivemos..Lá estão, encasteladas em imaginários –indestrutíveis...

Mesmo assim, mas não irrefletidamente, andamos...é o imperativo da vida, dentre outros...

Agora ouço Pedro: “Para onde irei...?”...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Meu sim e meu não correm juntos



Não faço versos para sonetos

Não mexo com as estrelas para guardá-las

Não começo um texto que termine

Não sigo a sombra por desalinho

Meu sim e meu não andam juntos como se a pompa estivesse no co-existir

Sim, quero e não quero, quero e desisto, corro e suo

Sim, nada é por demais e sempre requeiro mais, SIM!

Sim, meu hoje seja um sinal da perfeita imperfeição que talhou esse texto

Sim, cansada ainda escrevo, ainda que isso me custe mais tempo para as tarefas em meu limbo

Meu sim e meu não correm juntos por e para todos os lados – sofregamente – não os posso esconder...

......

Embebedada na lucidez dos meu sonhos___


Muito terá que se desdobrar o tempo, para refrear o fôlego que instiga meus planos arvoradores


muito, de algum sentido divino, me encha da mais alva e plena transparência para testar os vales rasos do conhecimento superficial


desejosa estou pelos ventos mais fecundos, pelas águas mais abundantes, pelo rasgar à terra em sulcos que recoloquem novos sinais na face terrena

sou essa recém-criadora-criada,

mas nunca servil,

desmontei a tudo e a mim mesmo para desacompanhar

os passos daqueles que andam no mesmo sol
recriarei as invenções e a modificarei sempre que lancetear as primeiras mudanças
serei sempre o mutável ciclone dos espaços comuns
Algo me inquieta – enquanto ando:

Não!, não sonho como quem escapa da vida

estou mais apegada à ela que nunca
Minha alma sempre desperta desatina a mais densa nuvem
não quero apenas expectativas que por hora nos inflam o peito de ansiedade e noutra se debatem em nulidades labirínticas...

arpôo um muito aqui,
algo além...,
mas tudo certa e temporalmente:

naquela luz lúcida,

gerida na vinícola dos sonhos gerados em longos tonéis “enjuvelhecidos”, ainda que: recém-formados...

(Texto que escrevi no último dia de aula na graduação...enquanto o professor falava eu corria a mente em outros sonhos...aquele eu já conquistara...)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

As palavras trocam suas asas com o tempo...


Quando eu era pequena me encantava e aquietava com letrinhas coloridas...

O tempo passou e a cor escura nas páginas tornou-se suficiente e intraquila para mim...

Aquelas letrinhas coloridas?! tomaram asas...

Quando eu era pequena bastava sorrir rapidamente e à todos envolvia...

O tempo passou e as horas de sorriso tornaram-se cada vez mais alvos de sondadores de mim...

Aquele sorriso desarmado?! Tomou asas...

Quando eu era pequena passava horas montando castelos de areias à beira mar só para vê-los por alguns segundos...até a onda brindá-los num gole só...

Hoje semeio apenas após vastos cálculos porque não posso perder ambos: tempo e obras...

Meus castelos para o nada?!...tomaram asas...

Quando eu era pequena tinha uma casa imensa, meu pai, mãe e irmãos sentados à mesa e mais nenhuma preocupação...

Aos meus 17 anos meu pai foi para outra casa, seu lugar até hoje é estranho, existe no psíquico, mas não no físico..e quantas conversas não podemos mais ter...Ele, tomou asas...

O tempo de pequena teve suas primeiras asas: sonhadoras, tímidas, irrequietas..

O tempo de hoje tem outras...

Não as descrevi aqui...

As palavras trocam suas asas com o tempo...

Mas o importante é ainda conseguir voar...acima de tudo que "Tomou asas.."

Tomo outras asas... tento novos "voos"... Onde está o acento deste voar?! Tomou asas!!

voe!

terça-feira, 31 de maio de 2011

O que quero falar....



O que quero falar vai além das palavras

Seus sons estão todos desmantelados no momento em que lhe dou novo som

O que quero falar está encastelado num canto de desesperança

Suas notas estão todas confusas: é dia e noite querendo traduzir melodias

O que quero falar deve ser silenciado

A fogueira dos crédulos e incrédulos não os diferencia

No final valerá apenas o caráter, aquela face indiscreta do amor.

O que quero falar é um misto de uma dor...

O ato de fala é o meu mal, mas estou tentando pôr-lhe amarras.

O que quero falar não pode ser todo dito

Pois o que falam é premeditadamente frio, calculado e causa sangria

O que digo e o que quero falar: preciso aprender a arte de silenciar

Preciso tornar palavras em beijos, ainda que sejam direcionados a face de Judas...

Só isso que quero falar....Mas há muito silenciado...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Livros sendo escritos, mensagens silenciosas..tudo, entre a dor e o APRENDIZado.







Que aquele livro não poderia ser mais escrito era ideia inaceitável para aquela triste menina...
O sol deitou-se em seus olhos, as luzes esconderam-se dela, num instante incerto.
Ela nem ao menos cresceu e teve sua visão perdida num assalto, aquele estranho levara sua alma? Não, ninguém podia dizê-lo.
Rapidamente ergue-se de seu leito de sombras e questões e pôs-se a aprender a nova linguagem do sentido das mãos, aquelas mesmas que tentaram reagir contra o assaltante, agora reagem contra outro assalto: o das depressões e dúvidas sobre a sorte e a razão da vida...
Ela passava os dedos sobre os sinais em relevo, tão curiosa, tão estranhamente admirada em reaprender a escrita que não conseguia dormir direito...
Seus passos corriam para a escrivaninha, agora sem luz nenhuma, e tateava os significados
A primeira frase que lhe foi entregue continha uma mensagem que nunca mais esqueceria:
“PORQUE EU BEM SEI OS PENSAMENTOS QUE TENHO A RESPEITO DE VÓS, DIZ O SENHOR, PENSAMENTO DE PAZ, E NÃO DE MAL, PARA VOS DAR O FIM QUE DESEJAIS.”Jr33:11
Uma lágrima respondeu aquele silêncio,
Um mágico momento transformou aquela menina.
Saber os porquês não nos é concedido. Temos direito apenas de enfrentar a vida com ânimo e revirá-la até fazer algum sentido que inspire para além de nós.
Aquelas letrinhas luminosas lhe deram uma ideia...
"Tomarei minhas escritas e farei com que meu diário seja uma palavra de conforto e ânimo para quem alcançar a escuridão exterior. "
Era incrível vê-la! Aprendeu mais rapidamente, tomou ares de águia e começou a escrever seus passos e aprendizados diários.
Um dia, aquele livro já com mais de cem páginas foi terrivelmente estragado por uma simples goteira não conhecida...e pior: ela ainda não havia aprendido a usar computadores, não havia outra cópia...ela tinha perdido tudo...
Naquele dia as lágrimas eram velhas, os rancores da vida parecem terem todos, ao mesmo tempo, alavancado o mesmo sofrer. A agonia lhe entristecia tanto as pálpebras que pedia a morte...
Seria o fim?
Naquele momento, para ela, era mesmo o fim.
Ela tomou aquele livro, lançou na lata do lixo com toda veemência e amaldiçoou o triste fim dele.
Tentou se trancafiar, mas a vida nos pede as retomadas e superações. E , dias depois, lá estava ela lutando, trabalhando e sendo trabalhada.
Ao chegar ao trabalho, soube que fora marcada uma palestra para todos os funcionários. Ela adorou a ideia, afinal, quem não gosta de uma mudança em sua rotina?
Sentou-se e ouviu o anúncio da palestra. O tema era: “PORQUE EU BEM SEI OS PENSAMENTOS QUE TENHO A RESPEITO DE VÓS, DIZ O SENHOR, PENSAMENTO DE PAZ, E NÃO DE MAL, PARA VOS DAR O FIM QUE DESEJAIS.”Jr33:11
Aquele texto estremeceu a jovem. Dispararam todas as lembranças de seu livro despedaçado, sua revolta de um projeto perdido...ela segurou um sorrisinho sem graça e colheu algumas lágrimas indiscretas...
Começou então aquela palestra...
O nome do palestrante era Emanuel, ele tinha a mesma necessidade visual que a jovem assustada, sua palestra começou com uma comparação estranha...ele dizia:
“Nós somos livros. O nosso processo de escrita é mais doloroso quando queremos entender todo o processo, quando queremos prever o futuro e amarrá-lo aos nossos cálculos. Quando fui surpreendido por uma cegueira prematura aos sete anos de idade tornei-me rebelde, fui desistente de tudo: escola, amigos, família. Vivia nas ruas e bebia muito, queria não viver queria não querer...mas não consegui. Um dia, catando entre lixeiras algo para sobreviver encontrei algo que muito se aparentava comigo: um livro esgaçado por dentro e por fora, mas que continha palavras de esperanças que me desafiaram, me fizeram romper meu amanhã. Aquele livro tinha como inspiração o tema desta palestra : “PORQUE EU BEM SEI OS PENSAMENTOS QUE TENHO A RESPEITO DE VÓS, DIZ O SENHOR, PENSAMENTO DE PAZ, E NÃO DE MAL, PARA VOS DAR O FIM QUE DESEJAIS.”Jr33:11

A jovem não suportou a corrente de lágrimas que rompeu de si. era o seu livro. Aquilo que para ela representava seu fracasso, era apenas a ponta do iceberg, a fina camada da dor não a deixou perceber as profundezas que Deus estava trabalhando...
Ela então gritou: “Esse livro é meu! É meu! Esse livro sou eu!”
O palestrante não a consegue ver, mas ela pede ajuda e vai ao encontro daquele homem e ele sente sem seu chorar que estava diante de uma autora desesperada, que inspirou a esperança.
Enquanto ela chorava ele disse: “Nós somos como esse livro, mesmo no revirar de nossas dores, podemos inspirar e sermos inspirados pelo socorro que enviamos a outros, mesmo quando dentro de nós escapa a própria vontade de viver...É chegada a hora! Tome o seu livro escreva-o e reescreva-o. Não desperdice-o no lixo dos medos e traumas...não se abandone...”
O choro parecia não ter mais fim...
Ela abraçou o seu livro perdido...Até a luz em sua alma retornar e aquele palestrante ainda falou:
"Quando você parou de escrever...


Deus, sabendo que você e eu somos aprendizes na vida, começou a escrever em minha vida uma nova história...


e hoje, reescreve a sua.... "












Um fato é indiscutível, após aquele dia aqueles livros nunca mais seriam os mesmos...
“PORQUE EU BEM SEI OS PENSAMENTOS QUE TENHO A RESPEITO DE VÓS, DIZ O SENHOR, PENSAMENTO DE PAZ, E NÃO DE MAL, PARA VOS DAR O FIM QUE DESEJAIS.”Jr33:11

Ileide Sampaio...Por que nem o mestrado me rouba essa mania de subjetivar!? huahauua