quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sobre o Natal dos homens...


Há passeios que se fazem aos pés,

outros que são rumados pela janela da alma, quando os olhos ocultam imagens criadas.

Natal é noite de sonar os sonhos de Deus...

Num dia (que provavelmente não fora em Dezembro, mas tudo bem, isso é de somenos importância...) em que Deus decide descer, mas diferentemente do Éden, dessa vez vem pra tomar forma humana,

sentir a intraduzível irracionalidade do homem, seu destempero e soberba em não curvar-se aos intentos divinos...

Desse dia o que descreveriam os homens?! O que relatariam e ensinariam aos seus filhos?!

"Natal é dia de celebração",

Estão certos, em parte, porque o NATAL que RELEMBRA O CRISTO não pode ser o da banal aquisição, das mesquinhas riquezas, das mesas fartas apenas de bens vazios, da troca de presentes com quem pode retribuir algo em troca...

Natal é um dia comum que deveria celebrar o incomum...afinal: Deus vir à Terra já seria evento espetacular, mas ao decidir viver como e com os homens...ah! isso deveria nos extasiar!

Nesse dia ensaiam-se os discursos das compras, imbatíveis confraternizações... palavras lançadas ao vento...

Era o dia em que Deus deixara sua glória, toda sua riqueza e esplendor para habitar com os homens...

Nesse mesmo dia, o discurso se inverte...

não aceitamos a posição de Cristo!!!!...

Queremos o topo mais alto, os maiores recursos, a ceia mais farta...

Fechamos a janela da nossa alma e não lembramos mais o que significaria o Natal...

PENSE comigo:

SE CRISTO VIESSE À NOSSA CEIA DE NATAL?!


O QUE ELE MODIFICARIA?!


Certamente, estariamos bem mais fartos,

com menos coisas e

com mais pessoas!!!

Em Cristo,
Ileide Sampaio...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O mundo, seus olhos e os meus...



O mundo nos vê!

mesmo que não percebamos os seus olhares...eles estão, o tempo todo,

fixos em nós....

Ele nos relembra, a vida inteira, que tudo o que se sonha deve ser achado um dia...

O mundo nos cobra a realização dos nossos sonhos,

mesmo quando ele mesmo não inspira o sonhar.

Parafraseando José Saramago, nós precisamos ter "olhos num mundo cego"

Somos uma ferramenta social "para curar um mundo fraturado" que não mais sonha, nem encanta.

o mundo é duro demais para quem queira apenas o otimismo:Devemos ser esperançosos, mas não simples otimistas

: "Otimismo e Esperança não são a mesma coisa. Otimismo é a crença de que o mundo está mudando para melhor; esperança é a certeza de que, juntos, nós podemos fazer o mundo melhor. Otimismo é uma virtude passiva; esperança é uma virtude ativa. Não é preciso ter coragem para ser otimista, mas é preciso ser muito corajoso para ter esperança.""(Rabino Jonathan Sacks p. 206).

A busca dos sonhos parace interminável...vivemos encharcados de novas expectativas e desejos...

O futuro nada mais é o do que o reflexo incerto do que fazemos no hoje.

O tempo presente parece precipitar-se, escorre no que fizemos -

como mais uma flecha lançada ao nosso alvo.

A vida nos cobra sonhos mais altos, mais humanos, mais legítimos!!

Viver, Viver, Viver

"É ter um passado, que cresce. É ter cada vez menos futuro."(Comte-Sponville. "A vida humana" - Martins Fontes, p.86.)

Viver, Viver, Viver

Maximizar o instante:

"O tempo só tem uma realidade, a do Instante.

Noutras palavras, o tempo é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas. "(Gaston Bachelard em "A intuição do instante" - Verus Editora)

E ainda que a vida aparentemente venha trair o tempo que tinhas detido para sua colheita

acalme-se! Tenha o coração firmado nas tuas certezas, como dita a sabedoria judaica:

"O QUE É MELHOR: um cavalo rápido ou um cavalo lento?

Depende de estar-se ou não no caminho certo."

Não sairemos da órbita dos olhos de Deus, lá estaremos na semeadura dos sonhos...Vivaas à essa plantação florida, composta de encantos, rumores e deslumbramentos...

Nada surge sem o processo árduo da incertezas , do planejamento e investimento da vida, afinal:

Ao mesmo tempo que somos a imagem divina,

somos também o pó da Terra....frágil e, por vezes, apegado ao pó...

A vida se vale de oportunidades vividas,

Do esforço do recomeço, do (re)início após as guerras

Do olhar que sangra o tempo

Que mata o dito medo.

Eis a Vida:

seu olho di(fere),

en(sina),

re(cita);

eu apenas amontou alguns dias e já quero falar sobre ela?!...são apenas olhares ...

meus lampejos...simplesmente...

indecifráveis...


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O bote hermenêutico de Müller...



“Socorro!! Eis que estou a mergulhar em águas profundas e só tenho a curiosidade e o espanto como companheiros...” Esta foi a minha primeira impressão ao ler MÜLLER, mas aos poucos,e, graças a Deus e minha teimosia, eis-me aqui! Trazendo um novo-gráfico para quem possa ter lido ou venha a ler Friedrich Müller...Digo "O círculo hermenêutico" representado num bote salva-vidas...

Como prometido, eis o próximo “gráfico-desmistificador”(pelo menos é esta minha intenção: descortinar muita coisa empoeirada e labiríntica que tenho lido neste dias de fim de ano...)

Esse gráfico não pode falar por si,

Assim como as gotas de palavras à aprofundar a terra de muitos outros significados também não falam...

Mas se você teve curiosidade de decifrar esse sinal, digo: um SALVE a você !

No post passado trouxe a discussão dos

“Conceitos Indeterminados e o halo de Phillippi Heck, “

agora trago, ainda quanto a interpretação das normas,

a “teoria estruturante” de Müller – o qual, acertadamente, toma a letra da lei apenas como

“ a ponta do iceberg”...

Ele traz uma teoria de reminiscência entre a letra da lei; a interpretação normativa desta e os fatos empíricos (o caso concreto); e a adstrição de um resultado: A NORMA! Que ele chama de “norma de decisão”.

Se você não faz direito, nem quer fazê-lo (você, realmente, quer ler este texto?!) – esta teoria prima pelo criacionismo contido.

A letra da lei é só o começo – mas é o primeiro e o arrimo do intérprete.

Aquele círculo (o bote) tem um início e fim híbrido – seu nome é “Círculo Hermenêutico”,

Pois inicia o processo de interpretação na letra da lei e

volta para a análise de onde se partiu.

Se acharem melhor, fiz outra formulação esquemática para esta teoria:

Enunciado<=>caso concreto<=>Interpretação do Texto Normativo<=>"programa normativo<=>"Setor Normativo"<=>Norma de Decisão....e volta....Enunciado...etc...

Viu como é melhor sintetizar a teoria dele num Bote?! hauhua


Eia o bote salva-vidas! – uma tentativa de imprimir uma via democrática para a judicialização do direito (este termo significa: o juiz criando normas concretas – e não apenas o legislador, o qual, em regra, cria normas gerais, para sujeitos indeterminados).

SE você não faz direito – me pergunto: “Como leste este texto até o final?! Não é enjoativo?!Cuidado!!! Você pode ter uma veia jurista!" huhaha

Bem, eu e minhas inquietações estaremos rabiscando outras análises nos próximos dias...isto, claro,

Se Deus assim me permitir=]

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Do "halo" de Phillippi Heck...


Não!
Não é um pensamento sobre o sol!
Nada disso - tentei neste "gráfico" decifrar de maneira esquemática a teoria do Phillipp Heck....ainda bem que fiz direito, porque meu dom de desenhar é tosco!

Quem me conhece BEM, sabe o quanto amo decifrar essas filosofias que parecem(apenas PARECEM)ser loucas...na verdade há muito de lucidez em muitas delas...

Vejam:
"Consoante Phillipp Heck, o conceito revela uma zona nuclear ou fixa(núcleo) e uma zona periférica ou orla (halo). Representam-se o conceito como um ponto de luz intenso que ilumina os objetos com mais intensidade..."(MORAES:2003, p.64) e por aí vai....

Isso tudo sobre a impossibilidade de se condensar sentidos - ai daqueles intérpretes hígidos!
Não há receita de fixação pétrea de conteúdo de palavras - estas são signos - reconstruídos a cada interpretação e intérprete...
Eros Grau não aceita a existência de conceitos jurídicos indeterminados - para este, a lei sempre reduz a incerteza, e os fatos por mais imprevisíveis que sejam serão circundados por uma zona de certeza - no meu gráfico simples não haveria aquela penumbra azul - o "halo" de Phillippi Heck... "O jurista brasileiro qualifica os conceitos jurídicos como signos de segundo grau, isto é, signos de significações..."
Parece-me que Eros Grau diferencia, de forma errônea, palavras de palavras da lei - como se houvesse um manto diferente sobre a definição jurídica e um mero texto....
Signos de primeiro e de segundo grau...parece-me um esforço semiótico para garantir a legalidade e evitar a Judicialização do direito - mas o vejo capitaneando navio solitário....


Bem, trouxe essa discussão para esse blog apenas para deixar uma pequena lembrança do que vem povoando meus pensamentos...

Ando sem tempo de escrever - apenas tenho colhido o máximo de escritores possíveis - época de novos desafios....
Nos Próximos escritos falarei de um outro "jusfilósofo"...mas,por enquanto, é segredo=]

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Do desentranhamento das palavras...


Há maneiras de se respirar sem soluçar qualquer som

Mas eu venho preferindo desvendar palavras – desafogar desabafos

Aqui é o lugar de meus soluços, mas já algo me encanta: aqui também foi lugar de soluções para alguns poucos leitores atenciosos que se sentiram nas fibras das linhas

Não é hora do NOVO

Aqui não há espaço para o inédito, mas para IDENTIFICAÇÃO

Se tomares qualquer gota de dor ou alegria humana – veremos ao longe ou perto – o quanto somos próximos

Agora escrevo como antes

Sem preocupações nem encantos

E que seja este meu canto:

Só nas palavras há libertação e prisão

Usemo-nas então, como quem se utiliza de óculos – com precisão, cuidado e diariamente

Sejam elas pinçadas

Como enfeites? Não!!!!,

Sejam elas âncoras ou lemes,

Que levem longe

Ou tragam de volta, mas...que sejam lançadas...

Nunca se sabe para onde elas poderão levar

Para o teu olho,

ou

tua alma?!

O rio do devir as levará

São signos desentranhados

ei-los aí... aos olhares de intérpretes queridos - conhecidos ou não

Tomo agora algumas linhas de F. Pessoa - letras que me são bandeiras tremulantes:

"Navegar é Preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça."

esse texto é incendiante!!!