segunda-feira, 10 de maio de 2010

Do anseio...





Aqueles dias em que a esperança toma o viço do medo

Quando a alma é arrebatada pelo cálido segundo ainda não despetalado

Nesses dias em que fenece a alma pelo anseio resguardado entre muráis de bronze

Encontro-me ausente do instante que se apresenta

Sou um outro momento e não o agora

Um instante disperso, sem azo nem passo

Uma porta entre-aberta

Uma casa destelhada pelos ventos do medo –

num pleno deserto.

Cura-me então a sede, Deus sem-pressa

Trata-me os olhos da alma

Ajuda-me a destrilhar os passos do desassossego

Erige em mim um altar-silencioso

Um acesso a tua harmonioza morada

Acesa por teus serenos olhos....











nada mais!

ileide-=]


Como afirmado pelo meu querido Goethe:

"[....] Oh vida! oh labirinto!
de novo o mesmo sois.

Já renascer me sinto.
[....]
Começa em vagos sons meu estro a palpitar,
qual de uma harpa eólia o triste delirar...

Já sinto estremeções; o pranto segue ao pranto,

e o duro coração se abranda por encanto.

O que foi, torna a ser. O que é, perde existência.
O palpável é nada. O nada assume essência. "...genial..."O FAUSTO", por favor - leiam!!!

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Escrevi isso num dia em que minha mãe lembrava-me: “Chega já seu vigésimo NONO ano...”


Devastando os caminhos que não descobri, pude perceber que havia algo entre os nós, que as parcelas de cores e sombras mesclavam-se numa dissintonia que UM DIA emitiria sons harmônicos para mim... Antes não entendia, mas hoje algumas notas já me soam propositais e certas. Olhei para o calendário de minhas memórias e eis que os vinte e oito anos de caminhada me fizeram apenas aprendiz: rabiscando enfeites, tentando humanizar os segundos e subjetivando a alma até vê-la “intransparente”... Vinte e Nove anos chegam então, e essa floresta que carrego em meus olhos parece cada vez mais virgem e intocada, tudo me espelha o encanto, vejo sons novos, sigo alguns apenas – minha mania de pensar Muito e Muitíssimo antes de agir não decaiu nesses longos-curtos anos de andanças. Cá estou, creio que não ando em círculos, que tenha feito alguns progressos, lembro que ajudei tantas vidas...lembro das meninas da FEBEM-ce, de tantas pessoas em Igrejas e fora delas (CECOVI, MARANHÃO, ITAPERY, ICARAÍ, FACUL...)que pude ser um pouco de “Peregrina” (leram o livro?! Se AINDA não o leram, por favor: o façam nesse novo ano..) Ah, esvoaçadas lembranças...e Como voam os dias!, mais rápidos que o toque das asas de um beija-flor em pleno vôo... No espelho ainda não vejo tanta diferença, em minha escrita já vejo alguma, no meu jeito creio ainda ser a mesma menina que sonha e aposta na vida, que vê nos amigos uma esperança de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, que vê o amor com certa desconfiança - até que o tempo o confirme e mature as palavras e promessas nas sentenças dos dias... Sou agora Vinte e Nove Anos mais velha, chegarei à mais um ano com novas canções (hoje percebi que já possuo vinte e cinco cânticos que saíram saiba Deus o porque...), novos e mesmos sonhos, mas o que é interessante nessa longa e curta caminhada é que uma visão em mmim petrificou Como se fosse a minha Cláusula Pétrea: Isso reside em mim:
tudo que há na floresta é apenas visão passageira, há algo mais sublime, cada dia é a minha Missão...
(ainda sonho com os cristãos comprometidos de caráter límpido,
com a causa social, com a conscientização ambiental,
com o motivo do sucesso tão-somente para ajudar alguém que não pode nada devolver-me, ....)
sou ainda sonho e
meu gosto pelos ares não me sai um segundo...

Nestes quase Vinte e Nove longos-curtos anos eu percebi que AINDA
não aprendi a viver isoladamente, não consegui viver o egoísmo, a ambição... apenas cavei em tudo algum altar para o sobre-natural, algo que sobrelevasse tudo que desejava, porque se não estivesse BEM ALTO... não conseguiria desejar. É, são longos-curtos vinte e nove anos, mas algo não muda: Sou estrangeira em terra estranha: não aprendi a língua daqui!

Da VidA...profundamente VIVA


a vida é aquele misto desconhecido
indecifrável no hoje
um signo intangível, uma escolha e absurdo

por vezes a vida mostra-se toda convite
noutras uma escolha ditada no silêncio mistério do existir

saberá dela uns anjos eternais
quem sabe nos mitos haja flores e cores que lhe descubram o olhar?!

Ah vida inquieta, passiva,
flúida e contraditória
apegada ao desapego
solta,
agrilhoada entre monções do insossego

quem comportará teus leitos nascentes
tuas vagas desonduladas?!

Ah, será o o mesmo Deus que planeou águas turbulentas?!
que numa voz rompente, mudou teu curso “impestuoso”?!


Sim,o mesmo que interrompendo a normalidade, como lhe é de praxe,
resolveu estilhaçar-se,
arriscando a própria janela da divindade

sim vida,
aquele que venceu a tua mais temerária inimiga
ainda utlizou três dias
motivos seus, inconscientes para este interlocutor

vejo apenas:
uma pedra
um túmulo
com um detalhe: vazio...


mistério profundo, profundamente vivo...

...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Destumule-se...





"...e como o noivo se alegra da noiva,

assim se alegrará de ti o teu Deus." Is62: 5b


Fosse hoje, aquele encontro entre os noivos que tão longamente se esperaram, se convidaram, se atraíram - entre olhos e abraços...sim!...
Fosse HOJE?!
nada mais importaria...
Se o olhar de um estivesse fixo sobre o outro, certamente, o outro não lhe desviaria o olhar...
Das várias e variadas maneiras que Deus se vale para demonstrar o seu sentimento pela Igreja, a figura da Noiva e o seu Noivo que virá buscá-la
sobre um cavalo branco(Ap19:11) é uma história de amor simplesmente imperdível...

Um sussurro de que seu chamado é firmado numa proposta amorosa, num convite de alguém incansavelmente disposto a amar.

Esta disposição para amar, independente de correspondência é algo único, não traz nenhum sentimento de frustação ao coração do Noivo, Ele mesmo afirma :
meu amor "tudo suporta, tudo espera..."(I Co13:),

Num mundo que se esquiva de amar, que passa ao longe de qualquer sentimento que imprima comprometimento, eternidade, fidelidade; Deus decide não desistir de nós,
seu andar pelo Jardim (e aqueles passos não lhe dariam um sétimo dia para descanso...)
seria só o início(Gn3),
o homem continuaria fugindo de seus braços, cheio de desculpas,
tentaria se enrolar em algumas outras folhas de vergonhas e mundanismo...

Desde o Gênesis...

Foi necessário ir além do Jardim

Retirar-se de sua Glória, descer para atrair de novo a sua Noiva para os seus braços,

O Gólgota seria a Grande Prova desse Amor...três dias tumulado...revirando até o inferno em busca de sua noiva!

O terceiro dia foi a vitória do Amor sobre a Morte, que antes tinha tumulado a alma humana...

A pedra do túmulo de seus medos, SEU NOIVO RETIROU!

Isto lhe custou a própria vida do seu Amado
Já ouviu algo assim?!

O máximo que se conta pela boca humana, é de algum Romeu e Julieta apaixonados, mas mortos um para o outro...
Não, não falo de morte, falo de um Amor que Morreu e Resssucitou, que não conseguiu ver sua amada deitada ao chão do pecado - presa e perdida,
Ele DECIDIU experimentar o nosso túmulo,
as nossas dores e traumas,

tudo para nos ter ao seu lado...

É esta a história de Deus, e ela Não deve ser apenas lida!


não a perca de vista!

Renove agora a sua visão de Deus... e o chame como se convidasse um noivo, um príncipe...
vamos!


Destumule-se!

"E o Espírito e a Noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida." (Ap22:17).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Recomendações..meu querido "Pequeno Tratado das Grandes Virtudes "...Se não os inspirar decerto morrestes - perambulas ainda e apenas com tuas pernas.

"Se a virtude pode ser ensinada, como creio, é mais pelo exemplo do que pelos livros. Então, para que um tratado das virtudes? Para isto, talvez: tentar
compreender o que deveríamos fazer, ou ser, ou viver, e medir com isso, pelo
menos intelectualmente, o caminho que daí nos separa. Tarefa modesta, tarefa
insuficiente, mas necessária. Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres), e
alunos precisam de livros; é por isso que eles às vezes escrevem livros, quando os
que têm à mão não os satisfazem ou sufocam.


Ora, que livro é mais urgente, para
cada um de nós, do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse,
na moral, do que as virtudes? Assim como Spinoza, não creio haver utilidade em
denunciar os vícios, o mal, o pecado. Para que sempre acusar, sempre denunciar?
É a moral dos tristes, e uma triste moral. Quanto ao bem, ele só existe na
pluralidade irredutível das boas ações, que excedem todos os livros, e das boas
disposições, também elas plurais, mas sem dúvida menos numerosas, que a
tradição designa pelo nome de virtudes, isto é (este é o sentido em grego da
palavra arete, que os latinos traduziram por virtus), de excelências.

O que é uma virtude? É uma força que age, ou que pode agir. Assim a virtude de
uma planta e de um remédio, que é tratar, de uma faca, que é cortar, ou de um
homem, que é querer e agir humanamente. Esses exemplos, que vêm dos gregos,
dizem suficientemente o essencial: virtude é poder, mas poder específico.
A virtude do heléboro não é a da cicuta, a virtude da faca não é a da enxada, a
virtude do homem não é a do tigre ou da cobra. A virtude de um ser é o que
constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria: a boa faca é a que
corta bem, o bom remédio é o que cura bem, o bom veneno é o que mata bem...

[....]
Se todo ser possui seu poder específico, em que excele ou pode exceler (assim, uma faca excelente, um remédio excelente...), perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem. Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais, ou seja, a vida racional. Mas a
razão não basta: também é necessário o desejo, a educação, o hábito, a memória...
O desejo de um homem não é o de um cavalo, nem os desejos de um homem
educado são os de um selvagem ou de um ignorante. Toda virtude é, pois, histórica, como toda a humanidade, e ambas, no homem virtuoso, sempre coincidem: a virtude de um homem é o que o faz humano, ou antes, é o poder específico que tem o homem de afirmar sua excelência própria, isto é, sua humanidade (no sentido normativo da palavra). Humano, nunca humano
demais... A virtude é uma maneira de ser, explicava Aristóteles, mas adquirida e duradoura, é o que somos (logo o que podemos fazer), porque assim nos tornamos. Mas como, sem os outros homens? A virtude ocorre, assim, no cruzamento da hominização (como fato biológico) e da humanização (como
exigência cultural); é nossa maneira de ser e de agir humanamente, isto é (já que a
humanidade, nesse sentido, é um valor), nossa capacidade de agir bem. “Não há
nada mais belo e mais legítimo do que o homem agir bem e devidamente”, dizia
Montaigne. É a própria virtude.
Isso, que os gregos nos ensinaram, que Montaigne nos ensinou, também pode ser
lido em Spinoza: “Por virtude e poder entendo a mesma coisa, isto é, a virtude,
enquanto se refere ao homem, é a própria essência ou a natureza do homem
enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer apenas
pelas leis de sua natureza”; ou, eu acrescentaria, de sua história (mas esta, para
Spinoza, faz parte daquela). Virtude, no sentido geral, é poder; no sentido
particular, poder humano ou poder de humanidade. É o que também chamamos
as virtudes morais, que fazem um homem parecer mais humano ou mais
excelente, como dizia Montaigne, do que outro, e sem as quais, como dizia
Spinoza, seríamos a justo título qualificados de inumanos. Isso supõe um desejo
de humanidade, desejo evidentemente histórico (não há virtude natural), sem o
qual qualquer moral seria impossível. Trata-se de não ser indigno do que a
humanidade fez de si, e de nós.
A virtude, repete-se desde Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o
bem. É preciso dizer mais, porém: ela é o próprio bem, em espírito e em verdade.
Não o Bem absoluto, não o Bem em si, que bastaria conhecer ou aplicar. O bem
não é para se contemplar, é para se fazer. Assim é a virtude: é o esforço para se portar bem, que define o bem nesse próprio esforço.
Isso levanta certo número
de problemas teóricos, que tratei em outra parte. Este livro pretende ser, inteiro,
de moral prática, isto é, de moral. A virtude ou, antes, as virtudes (pois há várias,
visto que não se poderia reduzir todas elas a uma só, nem se contentar com uma
delas) são nossos valores morais, se quiserem, mas encarnados, tanto quanto
quisermos, mas vividos, mas em ato. Sempre singulares, como cada um de nós,
sempre plurais, como as fraquezas que elas combatem ou corrigem. São essas
virtudes que tomei aqui como objeto. Se bem que minha intenção não fosse
evocar todas elas, nem esgotar qualquer uma delas. Quis apenas indicar, para as
que me pareciam as mais importantes, o que elas são, ou o que deveriam ser, e o
que as torna sempre necessárias e sempre difíceis. Daí esse tratado, de que o
título bem indica a ambição, quanto a seu objeto, e os limites, quanto a seu
conteúdo."...
e continua...em todo o tom de profundidade e beleza - como se filosofia você a arte de pensar o cotidiano - sem aforismas e aporias abstratas...
valho-me deste texto apenas para eriçar a leitura de livros "pensantes" que nos façam pensar de si; para si; por si...pensar...gnothi seauton!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Citando um "novo" autor...

"Sobre o reino não se fala a não ser transversalmente, porque “não vem em aparência exterior”, e “o reino de Deus está dentro de vós”.


Ou seja, é de suma importância que esse domínio não seja explicado em demasia ou em muito detalhe; é fundamental que nenhum mapa até ele seja esboçado, porque que cada um deve encontrar-se por si mesmo com ele no terreno do coração.

Como explica Campbell, ser capaz de enxergar o reino – isto é, olhar para dentro de nós mesmos na condução gentilíssima do espírito e ver o solo preparado para essa impensável conciliação universal e para essa terrena transcendência – é que é o fim do mundo.


O fim do mundo é apenas o começo...."Paulo Braboo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Trepidações – e eu andando acima do sentir...

Uma imagem encerra signos indizíveis....,
mas o final de um tremor
sempre nos assalta...não importa...


andei acima do que senti...


As palavras faltavam e falavam - num silêncio único...


Naquele instante de nevoeiro lembrei-me de saldar o momento:


“BEM-(DITOS) os lugares que ainda nos podemos recolher!”,

mas apenas por alguns minutos

(não deve haver nada pior que habitar na Ilha das almas solitárias, ou há?! ).

Eu ouço e sigo Pv18:1, por isso não saúdo os lugares herméticos,

Muito menos as fugas aos montes e mosteiros.


Falo do silêncio da alma...


Quando se possui todo o gosto pelo seguir e as pernas da alma andam de forma trôpega...


Já sentiu o azo do cansaço lhe perturbar?!


Acalme-se!


É exercício:


aprenda nos silêncios,


cresça nas pausas,


exercite forças recriadas...


E se a fraqueza disser que não poderá vencer a lâmina do próximo segundo...

Ao menos tente...

tresmalhe-se e ajunte-se por alguns minutos


Você vai ver, em poucas páginas de calendários seu sorriso terá marcado novo encontro com tua alma!


Vê esse texto?!

Veio de algumas trepidações na alma –

Há motivos que nos escapam – não tente enfurnar-se deles!

Ande acima das Trepidações – mas com calços!

Elas, certamente, tem uma cara feia, mas
não tem que nos amedrontar...
sonhe mais!
vença-se por vezes!
Feche mais os olhos para seus dizeres de reclames!
poetize e faça verso: "Dor que me incide, hei de ver-te ir num caminho de ida eterna!"
Vamos lá!
Tente andar acima das nuvens!
As piores águas que temos que vencer são aquelas que encastelamos no silêncio de nossas angústias....
são elas que ruminam as trepidações que já se foram!
se não há respostas
dance bem acima das interrogações!
Como se tudo fosse imagem do segundo que o tempo, simplesmente, engoliu!